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Esporte 6/12/2017 14:27:55 » Por

Após se aposentar do judô, Luciano Corrêa quer trabalhar com gestão esportiva

Meio-pesado, atleta dedicou 30 anos ao judô e pretende seguir trabalhando no desenvolvimento da modalidade.



O dia 4 de dezembro marcou o adeus de um dos grandes judocas brasileiros dos tatames. Competidor do meio-pesado, Luciano Corrêa, da seleção brasileira e do Minas Tênis Clube, anunciou sua aposentadoria. Mas ficar longe da arte marcial não parece ser uma realidade para o brasiliense. Formado em Administração e com MBA em gestão esportiva, ele pretende trabalhar nessa área para ajudar no desenvolvimento de seu esporte.

- Cara, eu vou sentir muita saudade das viagens com a seleção brasileira, da amizade, de toda a jornada assim, né? De preparatório para a competição também. Vou sentir saudade... Eu pretendo ficar no judô. Tem algumas conversas, mas nada certo ainda não. Mas quero ficar no judô sim, principalmente na área de gestão - comentou ao GloboEsporte.com.

 
Luciano Corrêa deixa judô, mas quer trabalhar com gestão esportiva (Foto: Divulgação / IJF)

Luciano Corrêa deixa judô, mas quer trabalhar com gestão esportiva (Foto: Divulgação / IJF)

O judoca foi campeão mundial em 2007, em torneio disputado no Rio de Janeiro, que considera inclusive seu maior momento na carreira. Representante do Brasil nos Jogos Olímpicos de Pequim 2008 e Londres 2012, Luciano Corrêa acredita que faltaram a medalha olímpica e o pódio do Grand Slam de Paris.

- Meu maior momento foi a vitória no Mundial no Rio em 2007, estava com toda minha família apoiando, meus amigos incentivando, e consegui sair com a medalha de ouro. Foi o melhor momento da minha carreira. O que ficou faltando na minha carreira, tenho todas as medalhas de Grand Slams e Grand Prix, ficou faltando o Grand Slam de Paris, bem tradicional, e a medalha olímpica. Fui a dois Jogos Olímpicos e, infelizmente, não consegui a medalha - contou.

Luciano Corrêa falou ainda que a decisão foi dura, mas que sabia que uma hora ia acontecer.

 

- O atleta sempre desde o início sabe que terá um fim, só que é complicado, difícil chegar a essa decisão. Pensei bem, com a ajuda da minha esposa e da minha família, para tomar a decisão acertada. E eu acredito que na vida tudo tem seu timing, tem início, meio e fim. Esse ciclo de na minha vida se encerrou agora, mas se encerrou de forma muito bem resolvida, e eu acho que muito tranquila essa decisão. Lógico que a gente sente falta dos desafios, mas agora é migrar os desafios para outras áreas e ajudar o esporte brasileiro da melhor maneira possível - finalizou.

Casado com a nadadora Joanna Maranhão, Luciano Corrêa encerrou a carreira com 35 anos. Ele publicou uma carta onde agradece diversas pessoas nesta segunda-feira.

Abaixo, você confere na íntegra a carta do judoca:

"Encontrar as palavras certas pra falar sobre essa decisão é algo difícil e amedrontador ao mesmo tempo. O judô entrou na minha vida de uma forma arrebatadora, tudo relacionado a esse esporte é apaixonante. E mesmo hoje, quase 30 anos após ter iniciado minha carreira na academia Ivanez, o que sinto é igual ou ainda maior. Após meu primeiro campeonato brasileiro em 1992, acompanhado do meu melhor amigo e incentivador que é meu pai, eu disse que meu maior sonho era ser campeão mundial de judô e medalhista olímpico. Nenhum de nós dois fazia idéia do que seria necessário ser feito pra atingir ou se existiria alguma chance, o que tínhamos no coração era um sonho. E a ele, minha mãe Antônia, minhas irmãs Jeane e Viviane que escrevo nesse momento: nada seria possível sem vocês. Obrigado por todos os momentos vividos que não me cabe descrevê-los aqui.

Comecei minha jornada na minha cidade Natal em Brasília, aos 16 fui convidado pelo sensei Floriano Almeida para ingressar a equipe do Minas Tênis Clube, entidade que represento há 17 anos e me proporcionou toda estrutura necessária para que meus sonhos enquanto atleta de judô pudessem ser alcançados, se tornou uma família e faz parte de mim. Fiz dentro do Minas, amizades que guardo no coração, memórias inesquecíveis da antiga geração, tantos irmãos que me auxiliaram e me mostraram como a prática do judô vai muito além das disputas no tatame.

Meu tio Marcos e minha Tia Janda, que receberam aquele adolescente cheio de sonhos e ansioso pela liberdade que passou a ter: meu muito obrigado.

À Sara, que me ensinou ainda cedo que o amor perdura além dessa vida, eterna saudade. Ao staff do MTC . A todos vocês que fizeram parte de meu convívio e trajetória no esporte: minha eterna gratidão.

Aos meus companheiros de seleção, quantos momentos inesquecíveis: comemoração das vitórias e ombro amigo nas derrotas. Meu padrinho de casamento Leandro Guilheiro, acompanhei de perto sua jornada, e um dos momentos que nunca esquecerei: sua persistência e força, lutando não apenas contra os adversários, mas contra lesões do corpo pra conquistar a merecida segunda medalha olímpica em Pequim.

Quatro anos antes, tive a honra de torcer e assistir meu irmão Flávio Canto conquistar sua medalha olímpica. João Derly, nosso bi campeão mundial de judô e Tiago Camilo, que honra poder ter conquistado uma medalha pro Brasil no mesmo mundial que vocês. Mário Sabino, Leonardo Leite, Renan Nunes,Hugo Pessanha, Rafael Buzacarini, companheiros de categoria; me faltam palavras pra agradecer os ensinamentos e motivação que vocês me proporcionaram. Não fosse pela respeitosa rivalidade, eu não teria persistido. Obrigado e sucesso aos que seguem lutando por seus sonhos, estarei a partir de agora, torcendo do outro lado do ginásio.

Agradeço a todos da Confederação Brasileira de Judô, que represento com orgulho desde 2001, por todo trabalho duro e empenho nas conquistas do judô brasileiro. Paulo Wanderley,Silvio Acácio, Ney Wilson, Luiz Juniti Shinohara, Fúlvio Myata e toda equipe, vocês fazem parte de cada medalha conquistada por cada um de nós.

Às guerreiras do judô feminino do Brasil, desde Fabiane Hukuda, Rosicleia, Priscila, Ednanci, Dani Zangrando e tantas outras que abriram portas pra que em 2008 Ketleyn Quadros conquistasse a primeira medalha olímpica do judô brasileiro. Sarah, Mayra, Rafaela,Erika, vocês são heroínas, são motivos de orgulho pra todos os judocas e toda nação.

Por falar em heróis, como não citar meu maior ídolo Aurélio Miguel, que tietei pela primeira vez em 1988, e até hoje faço questão de reverenciá-lo; obrigado por seu exemplo, sua entrega e conquistas pro país.

Ao Exército Brasileiro, que pude servir por oito anos com honradez, compreendendo a grandiosidade de vestir a farda verde oliva e ter muito orgulho do meu país. Rauno Símola e André Fernandes, será impossível pra mim expressar a gratidão que tenho pelo apoio a mim ofertado nos momentos mais difíceis e cruciais de minha carreira.

São infinitas as lições aprendidas com o judô, por isso, nunca serei um ex atleta, está impresso dentro de mim os valores aprendidos através do esporte, e são eles que irei carregar pro resto da vida, onde quer que ela me leve.

Tenho consciência e gratidão por tudo que o esporte me proporcionou, e meu desejo, é que essas lições e oportunidades sejam ofertadas a mais e mais jovens desse país, e é através do Esporte sem Fronteiras que busco, humildemente, retribuir tudo que a modalidade me proporcionou.

E minha amada esposa Joanna Maranhão, que conheci em 2009, por toda compreensão, companheirismo e amor a mim dedicados. Obrigado por me ensinar que vale a pena enfrentar e persistir, que vale a pena lutar pra promover sementes de mudança no mundo, por buscar a todo instante melhorar a si mesmo, por todo incentivo nos momentos cruciais e difíceis da jornada, principalmente agora, por toda paciência e longas conversas para chegarmos juntos a decisão que o momento da transição chegou. Meu amor sem palavras pra descrever seu apoio incondicional, eu te amo.

Finalizo essa carta na certeza de que tudo fiz para alcançar meus objetivos, aos amantes do Judô e toda torcida Brasileira, quem me dera fosse possível proporcionar mais momentos de alegria através do esporte, obrigado a cada um de vocês, pela compreensão e apoio nos tristes, porém, necessários momentos de derrotas. Sigo a partir de agora lutando fora do tatame pelo Judô Brasileiro.

 

Atenciosamente e carinhosamente, 
Luciano Corrêa"

 


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